O esforço bruto de uma descida com zorra encontra a pureza de quem vê o mundo através dos nomes.

Na lida das encostas, onde a roda não funciona por causa da inclinação, o jeito de descer a carga era arrastando. Para tirar as colheitas de banana, o veículo principal não era a carroça, mas a "zorra". A zorra era uma espécie de trenó de madeira bruta, feita com duas vigas paralelas servindo de esquis, unidas por travessas que seguravam o assoalho. Diferente do carro de boi, a zorra não rodava. Nas descidas íngremes, o atrito do peso da carga contra o chão servia de freio, para a carga não atropelar os bois e o condutor.

Segurar esse peso dependia do ritmo sob a canga. A sincronia entre os animais era vital. Quando o serviço era puxar lenha, por exemplo, o peso era tanto que normalmente atrelávamos duas juntas de boi na mesma carga. Eram quatro animais: a junta da frente guiava o traçado pela trilha, enquanto a de trás suportava os trancos e firmava a zorra nas curvas. Acompanhando a marcha, o carreiro ia logo atrás, no espaço estreito entre os bois e a carga. Ele ia dando os comandos aos animais — sem desespero, apenas falando alto e firme. Falar sempre era a regra de ouro. O silêncio não é bom em terreno acidentado; a voz constante era o que segurava a atenção da junta na descida.

O bananal de onde tirávamos os cachos era antigo. Tinha sido plantado uns quarenta anos antes, espalhado pelas encostas onde dois morros se encontram, formando uma "grota". É uma linha de fundo de vale onde a umidade cria um solo rico, mas de acesso muito ruim. Trabalhar ali era viver se equilibrando no declive.

Muitas vezes, a zorra nem conseguia chegar perto das bananeiras por causa do terreno. Então, o começo do transporte era na força do braço. Usávamos um carrinho de mão para tirar os cachos do meio da grota, mas o barro e a subida tornavam o empurrão de um homem só impossível. O jeito era juntar as forças: um ia à frente puxando o carrinho por uma corda, enquanto o outro ia atrás, equilibrando os braços do carrinho e empurrando com o corpo todo. Era puro esforço para vencer as raízes e o lodo até alcançar a trilha principal, onde a gente passava a carga para a zorra.

Essa lida mostrava na prática a antiga lei do trabalho árduo de Gênesis 3:19: "no suor do teu rosto comerás o teu pão". Naquele esforço, a gente sentia na pele o peso daquilo a que estávamos atrelados. Às vezes, o que derruba a gente não é um tropeço, mas o peso morto da carga num terreno ruim. A zorra, rasgando o chão de terra, era a prova física dessa briga entre a vontade de ir para frente e o peso puxando para baixo.

Carregar a zorra exigia paciência. Os cachos precisavam ficar bem arrumados para equilibrar o peso, e banana verde é lisa e pesada. Um cacho recém-colhido engana no peso. Se a carga escorregasse para um lado, a zorra capotava no primeiro desnível.

Eu descia um desses trechos quando vi o vizinho subindo a trilha com a esposa e as três filhas — de oito, seis e quatro anos. Eles estavam olhando umas armadilhas de pegar passarinho, um costume ainda muito comum no mato naquela época.

Junto com a família, vinha um vira-lata pequeno que parou na minha frente e deu um latido seco. No meio daquele esforço todo com a zorra, respondi para o bicho do jeito mais genérico possível:

— Ow, cachorro!

A menina de quatro anos, a menorzinha, parou a subida na hora, olhou para mim séria e me corrigiu em alto e bom som:

— Não é cachorro! É Yuli!

Para mim, no meio da dureza do serviço, o animal era só um "cachorro" anônimo atrapalhando a passagem. Para ela, tinha história e nome próprio. O trabalho pesado às vezes faz a gente olhar as coisas só pela utilidade. Mas aquela correção lembrou que dar nome é o primeiro ato de cuidado e de domínio responsável que recebemos do Criador.

A promessa de Isaías 43:1 diz: "Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu". Diante de Deus, não somos criaturas genéricas; Ele nos chama pelo nome. A Yuli continuou latindo na trilha, mas já não era mais só um cachorro qualquer.

Hoje, aquele bananal continua lá no encontro dos morros. A banana divide o espaço com os palmitos juçara que nós mesmos plantamos anos atrás. Os palmitos cresceram, as armadilhas de passarinho com certeza já apodreceram, mas a lembrança daquele dia ficou. No meio do trabalho pesado, é bom lembrar que cada ser que a gente cruza — ou cada planta que a gente deixa no chão — tem um nome, uma identidade e um lugar onde pertence.

Updated: