A ESCOLA E A SUSTENTABILIDADE

A ESCOLA E A SUSTENTABILIDADE

Qual o nível de comprometimento do sistema educacional e o meio ambiente

Atuando em escola em município de pequeno porte, temos um contato direto não com os grandes problemas das metrópoles, mas no local onde o ambiente natural está sendo substituído pelo artificial, onde a urbanização chega atrasada, mas chega como o herói esperado, tirando a população do “caipirismo” e quanto mais moderno e destrutivo ao ambiente melhor.

Difícil mudar essa visão implantada pela mídia e pelo sentimento progressista, divulgado pelos progenitores, que esperavam ver na próxima geração o sonho da sua “vielazinha” transformar-se em uma cidade super moderna e atual. Normalmente, ao se projetar modernas áreas urbanas a situação ambiental é vista como relegada ao segundo plano, algo que precise ser sacrificado para o bem comum. Os proprietários de construções, vistos como heróis progressistas, passam a ideia de que o meio ambiente trata-se tão somente do processo burocrático de obtenção das liberações nos órgãos competentes.

A obsolência programada é um dos males da sociedade capitalista e consumista implantada e os alunos devem ser alertados sobre isso e abrir-se a possibilidade de busca e divulgação de produtos que não sigam esse princípio comercial, pois os mesmos trarão menores prejuízos ambientais, além de servirem ao seu propósito de maneira eficiente por mais tempo. A obsolência programada tem duas formas distintas de atuação: em uma delas o produto para de funcionar adequadamente e o conserto não é possível ou não compensa e em outra forma o produto torna-se antiquado pelo lançamento de outros mais novos com tecnologias “inovadoras”. Esse sistema faz com que o produto dito como “obsoleto” transforme-se em lixo, entulho, enquanto o ambiente é mais uma vez sacrificado para obtenção do material e produção de um novo produto que faça aquilo que o usuário necessite. Essa visão distorcida não só precisa ser denunciada pelos usuários como uma maneira velada de crime contra o bom-senso, mas como crime ambiental, pois causa um ciclo de destruição que terá consequências funestas se não for interrompido.

A escola sobretudo tem a necessidade de auxiliar na mudança desses para-digmas distorcidos e ajudar a formação de uma consciência ambiental para que as próximas gerações não vejam o meio ambiente como um problema, mas como um bem, como um legado da humanidade. Educação para sustentabilidade é bem mais do que mera consciência ecológica, é bem mais que isso. É a implantação de um novo estilo de vida. Livre do consumismo, livre da corrida frenética do progresso, mudanças no conceito do que é ser bem-sucedido, mudanças nos hábitos alimentares. Enfim, uma nova forma de ver o mundo.

Talvez seja importante citar o conceito indígena Sumak Kawsay” : “bem-viver” , o que é diferente da cultura ocidental moderna que busca tão somente viver melhor. O bem-viver do conceito indígena trata-se de uma concepção diferente de mundo, onde para viver bem é preciso que se viva em harmonia com a comunidade, com o meio ambiente, com o universo.

Assim, as escolas, têm a obrigação de ser modelos a serem seguidos, de incentivarem ao replantio de árvores nativas, ao respeito com animais silvestres e mesmo domésticos, ao incentivo aos hábitos não-agressivos de vida, como alimentação, por exemplo, incentivando práticas não predatórias. A escola deve buscar parcerias nas empresas locais para realização de campanhas, incentivando o consumo de produtos orgânicos, incentivando a reciclagem, a busca pelo menor impacto ambiental.

Para servir de um bom modelo para um sistema sustentável a escola precisa ser projetada para atender esse novo paradigma. A substituição do papel por outros meios eletrônicos de comunicação podem ter significativa importância como um princípio de mudança. Outros pontos a serem observados são: se a estrutura escolar pode ser arborizada, ajardinada ou inserida de alguma forma mais natural, servindo como um oásis natural para os alunos; se o sistema de esgoto do prédio tem tratamento adequado, se podemos gerenciar a produção de lixo e resíduos da própria instituição.

São várias as atitudes a serem tomadas para causar uma mudança de comportamento, mas de uma coisa podemos ter certeza: quase toda a mudança deverá começar dentro das escolas, no ensino de uma nova forma de nos relacionarmos com o mundo.

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