Quando um adjetivo é um verbo

Texto apresentado na disciplina de Leitura e Escrita da faculdade de Pedagogia da Univille.

Mario Perini, em seu ensaio “Quando um Adjetivo é um Verbo” do livro “Sofrendo a Gramática” discorre sobre a concepção da língua e apresenta a idéia de que o senso comum está errado em conceituar línguas como o sistema de nomenclatura das coisas. Defende sua idéia em três argumentos:

Primeiro que, a partir do princípio de que a “palavra” significa o que falamos sem que haja uma interrupção nem hesitação, vemos que cada língua dá um toque próprio na maneira de expressá-las e apresenta exemplos de palavras em outras línguas que se traduzidas precisariam de uma frase inteira no português, mostrando que a própria noção de palavra difere de língua para língua. No segundo argumento temos palavras que em algumas línguas podem significar mais de uma palavra com sentido diferente em outras, como um sistema de recortes da realidade, refletindo uma organização própria imposta pela mente às coisas do mundo. Em seu terceiro argumento apresenta diferenciações que são feitas de maneira única em cada idioma (no texto o autor dá o exemplo de cores no latim: caeruleus – verde ou azul, em português temos a palavra azul, em russo goluboy – azul bem claro e sinniy – azul mais escuro e de como no latim um adjetivo pode ser um verbo), sendo evidente como cada língua faz sua organização gramatical conforme a sua própria visão do mundo.

Afirma que as palavras representam, portanto, um sistema de organização do mundo, um instrumento para compreender a complexidade da realidade. Cada palavra não só exprime como também define as coisas, é certo dizer que as coisas podem refletir as palavras. A linguagem define a mente humana. Estudando sua forma podemos observar uma das maneiras que a mente criou de recortar e organizar a realidade e compreendê-la. A morte de uma língua significa o desaparecimento de uma visão única do universo.

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