Radiografia do Capitalismo

Desde muito cedo tenho sido observador e crítico em relação aos sistemas trabalhistas e meios produtivos implantados mundialmente.
Na adolescência um capitalista convicto, quase fascista. Militante deliberadamente contra partidos e teorias esquerdistas. Nunca tinha me filiado a qualquer partido por considerar que minhas conclusões não têm muito caráter político. São mais teorias em relação os meios produtivos. Também sempre considerei que erguer bandeiras políticas iam contra os princípios religiosos que tentava seguir, dessa forma me limitava às discussões com colegas adolescentes e professores, sempre em defesa do capitalismo e neoliberalismo. Meu colegial realizou-se em escola particular, fortemente amparado pelo sistema capitalista e isso favoreceu o fortalecimento das minhas convicções anti-esquerdista.
Bem, o resumo acima parece contraditório em relação à introdução que dei ao blog, mas vou explicar: Sempre achei que a estrutura capitalista dá as oportunidades necessárias a qualquer pessoa de expandir suas fronteiras, de conquistar sonho, de fazer da sua vida o que bem entender. Assim, parafraseando uma declaração de um empresário bem sucedido que não me recordo o nome: “Eu consigo ser o que eu realmente querer ser”. A teoria liberalista do capitalismo atrai por alguns fatores importantes:

  • Já é o sistema implantado e predominante em quase todo o mundo;
  • O Sistema favorece a criação de uma zona de conforto estrutural (talvez, em uma próxima edição eu aborde melhor esse tópico);
  • O Sistema cria diferentes camadas sociais com papéis definidos, mais ou menos com a seguinte estrutura:
    1. Proprietários e Investidores, membros da Classe Alta ou Rica, chamada nos últimos livros didáticos de Classe A; (é interessante ler a definição do Wikipedia sobre classes sociais)
    2. Funcionários de Alto Escalão, denominados assim por mim por falta de outro conceito, são os responsáveis por manter a estrutura real do sistema, trabalhando para os donos do capital, citados acima. São supervisores, gerentes, diretores e alcançam uma variada forma de atuação, desde o projetista, o responsável pelo marketing, ao supervisor de piso de fábrica. São bem pagos pelos proprietários do capital e normalmente se consideram realizados profissionalmente. Costumam defender com unhas e dentes tanto o sistema quanto à empresa da qual fazem parte. A maioria faz parte da Classe A, chamada também Classe Média Alta, tendo representantes também na classe B (média), esses um pouco mais insatisfeitos, buscando ainda a realização profissional.
    3. Trabalhadores em geral. Chamados de operários, proletariado ou simplesmente trabalhadores. Formam a grande maioria da população dos países capitalistas. Têm pouco ou nenhuma influência seja política ou administrativa na empresa ou sociedade em que trabalham e vivem. São facilmente substituídos e sua existência e identidade nas empresas chega a ser dados por números e estatísticas. Têm baixa ou média formação escolar, a maioria recebe salários baixos. Nesse grupo encontramos pessoas que idolatram a empresa em que trabalham por considerar como a única oportunidade de suas vidas e julgam os benefícios concedidos como uma grande conquista. Encontramos também os insatisfeitos, lutando arduamente pra alcançar um patamar melhor e “subir na vida”, considerando que essa ascensão almejada em geral trata-se de mudar de posto de trabalho, de função ou mesmo tentar ocupar uma vaga de funcionário do escalão citado no parágrafo anterior. Raramente encontra-se alguém insatisfeito com o sistema. A luta pela melhoria de vida restringe-se a ocupar uma função menos ardilosa ou que simplesmente pague melhores salários. É importante salientar que na modernidade pessoas com alto nível de instrução tecnológica acabam ocupando essa mesma classificação trabalhista, já que dedicam-se à grandes corporações da mesma forma que o trabalhador braçal do piso de fábrica ou da fundição. A maioria desses trabalhadores estão na Classe C ou B, (Classe Média Baixa ou Média Média). No mundo moderno é possível encontrar trabalhadores deste nível com altos salários, enquadrando-se até como classe Média Alta.
    4. Profissionais a parte do sistema (também me falta uma definição aqui). São os funcionários públicos, professores, classe médica, religiosos e os profissionais liberais, comerciantes e outros que embora não façam parte do quadro de funcionários das empresas que caracterizam o sistema capitalista, trabalham de forma a propiciar o ambiente necessários à sua existência. Têm representantes de todas as classes, desde de o simples prestador de serviços até aos cargos políticos de confiança. A maioria está satisfeita com os sistema capitalista e trabalham para manter a ideologia.

Acho que, modo genérico, temos acima um detalhamento próximo da realidade em relação ao capitalismo. A Teoria Capitalista Neoliberal costuma afirmar que qualquer pessoa pode migrar dentro desse quadro se assim o desejar. Assim, o operário que anseia ocupar cargos de liderança pode alcança-lo buscando através do aperfeiçoamento de sua formação e nível de instrução. Assim, ganham força os cursos técnicos, profissionalizantes e especializações diversas.

Verdade que essa migração funciona, sobretudo entre classes. Assim, um humilde operário pode investir seus salários em uma boa faculdade e futuramente ocupar funções de chefia. Esse mesmo operário pode especializar-se tecnologicamente e desenvolver um trabalho com alto valor agregado, levando-o a ter altos salários e realizar-se profissionalmente. Também são facilmente citados exemplos de grandes empresários que começaram humildemente e hoje ocupam o lado dos proprietários e investidores.
Embora capitalista convicto, duas coisas sempre me incomodaram nessa estrutura:

  • O sistema depende de um grande número de indivíduos na 3ª categoria, os quais devem ser explorados e tratados como peças de máquinas e não como indivíduos;
  • Uma política conduzida para eliminar os indivíduos da 3ª categoria ou para elevar seus salários e melhorar as condições de trabalho podem levar o sistema ao colapso;
  • A definição da sociedade em Classes Socais (A, B, C, D etc) é marginalizante, preconceituosa e terrivelmente discriminalizante;
  • O sucesso do sistema depende de uma sociedade consumista estabelecida, criando uma sociedade alienada, induzida pelos meios de comunicação (que participam ativamente na disseminação da ideologia consumista), além de trazer inúmeros problemas sociais periféricos, como distúrbios socioculturais e psicológicos;
  • A base do capitalismo pode ser definida como “dominar e explorar”, sendo uma porta aberta a corrupção em todos os níveis.

Enfim, essa realidade me levou a investigar melhor outros sistemas alternativos, os quais vou abordar aqui neste blog no decorrer do tempo. Fica registrado neste momento um raio-x do capitalismo que a gente vive no Brasil, vou abordar ainda as implicações para o cristianismo dos diferentes tipos de sociedade. Não vou abordar subculturas ou grupos ativistas políticos. Quero apenas relacionar as formas trabalhistas vigentes, suas implicações no cotidiano humana e a forma como o cristianismo pode interferir no sistema. Apenas com caráter introdutório, cito uma síntese própria que uso para definir as relações de trabalho nas 3 principais teorias aplicadas politicamente no mundo:

  1. Comunismo – A Cada Um Segundo o Que Precisa – Defende uma forte atuação do estado, garantindo um racionamento igualitário a cada cidadão;
  2. Socialismo – A Cada Um Segundo o Que Produz – Foi também implantado por força do estado em vários países. Teve variações diversas em sua aplicação. Defende uma sociedade organizada em relação ao que cada indivíduo produz.
  3. Capitalismo – A Cada Um Segundo o Que Tem – Também têm suas variações na aplicação ao redor do mundo, mas apresenta como característica principal uma fraca interferência política no meio empresarial. É dito que no sistema capitalista o sistema interfere nos governos e não o contrário. É uma sociedade fortemente elitizada e geralmente possui uma aristocracia bem estabelecida que detém o poder político.

Recomendo a leitura do livro Sociologia Crítica: Alternativas de Mudançade Pedrinho Guareschi, publicado pela Editora da PUC-RS (EDIPUCRS)
Leia o Salmo 73 e reflita sobre a realidade imposta pelo sistema capitalista. Forte Abraço e a gente retorna prosseguindo esse tema.

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